14 dezembro 2011
12 dezembro 2011
QUERIDO PAPAI NOEL,

Não havia percebido o quanto estamos próximos ao Natal! Este ano, como tantos outros, passou rápido o suficiente para me fazer perder nos meses que seguiam a mesma rotina anual e, finalmente, foi possível alcançar o dezembro de férias.
Poderia ignorar-te frente a tudo o que tentaram me fazer deixar de acreditar ao longo dos anos, poderia até discutir com quem não crê e vencer ao final, mas não tenho qualquer interesse em fazer com que concordem comigo na crença ou descrença relacionada ao velhinho barbudo que viaja em um trenó e desce chaminés.
Apenas penso em conversar com o ser não-ser que povoou e faz parte ainda da infância de muitos. Conversa sincera de agradecimentos sinceros e suaves pedidos, palavras minhas para ti, letras casadas e lançadas ao sul, pólo em que dizem que há sua fábrica de sonhos construída.
Tive muitos Natais, datas sempre comemoradas em família, dias regados a presentes e alguma comida, mas não é a isso que agradeço, pois sei o quanto inúmeras pessoas transcorrem a mesma data sem que haja alteração da sua rotina por não possuírem dinheiro suficiente para tal ou mesmo por não terem uma família com quem compartilhar sorrisos.
Agradeço por ter conseguido a cada Natal amadurecer um pouco mais e preocupar-me com quem me rodeia, agradeço por não deixar perder a esperança no meio do caminho e por buscar por sonhos a serem conquistados por mim e até por desconhecidos que meu caminho cruzam.
Sou grata também pela capacidade adquirida de enxergar às possibilidades presentes no horizonte da vida, embora estas apareçam sob névoa às vezes e também por haver em diferentes locais do planeta pessoas que se importam com o próximo e, como um beija-flor, fazem sua parte levando alegria à casa dos que não possuem tantas provisões.
E como humana que sou, não poderia encerrar esta singela cartinha sem fazer alguns pedidos. Solicito ao Noel, papai do Natal, que faça o possível para visitar sempre mais casas, principalmente aquelas carentes de carinho nas quais as crianças são tratadas como adultos antes de possuírem idade suficiente para isso. Poder ser criança e encontrar entretenimento entre a infinidade do quintal faz aparecer um algo especial ao olhar de quem quer apenas acreditar e sorrir, correr e brincar.
Não são presentes materiais os relevantes, apesar destes fazerem surgir sorrisos nos lábios dos menores. O que importa é a fé de continuar sempre na luta diária que pode ser tênue ou árdua, a motivação guardada no coração e pronta a ser utilizada em momentos cruciais nos quais pode haver desistência da busca por realizações e a capacidade não se deixar abater por obstáculos que posam surgir. Isso eu peço para todos, sem distinção de classe social, raça, religião ou mesmo de grau de afeição.
Desejo amenidades e até milagres aos povoadores de leitos hospitalares e ainda afeição por parte do corpo clínico que, embora pense ser responsável apenas pela cura farmacológica, é também dotado re responsabilidades sociais e emocionais para com seus pacientes. Cumprimentos sinceros e esclarecimentos são também presentes!
Para mim, enquanto pessoa, somente desejo que me faça acreditar no brilho das escolhas feitas sem recuar ante as dificuldades. Desejo acima de tudo escutar dia após dia o som da felicidade emanado por uma criança com cachinhos barrocos, olhos amendoados e sangue que também é meu.
Espero, Papai Noel, que possa ler isso entre as estrelas que separam a realidade da brincadeira natalina. São palavras escritas e lançadas não ao vento, mas a uma rede que funciona como se fosse brisa e, como tal, é capaz de transmitir a mensagem imaginada. Não é necessário certeza sobre sua existência, na verdade nem é preciso pensar a esse respeito. Essencial somente é trazer à tona a bondade que há em algum lugar nos seres humanos, se não nos outros meses do ano, em dezembro.
Que a internet, com suas renas e sacos mágicos, possa de alguma forma ser o Papai Noel de alguém. Que as chaminés sempre abertas recebam sempre o que há de melhor: carinho, atenção, esperança, sonhos, possibilidades, amizade. E que o Papai Noel de vestes vermelhas e botas negras não deixe de existir no coração dos pequenos que ainda precisam ter esperança na vida já que são o futuro que poderíamos gostar de ter e no coração também dos grandes que precisam de alguma forma contribuir para que isso aconteça. Que a cada dia transcorrido mais luzes se acendam e pisquem sem parar!
Despeço-me apenas com um até breve, de uma amiga que desacreditando acredita em alguma magia natalina.
21 novembro 2011
Perdem-se noites e não esperanças

"Perdendo noite após noite, o estudante de Medicina se enche de olheiras." (Diz o ditado mais verdadeiro da Medvida)
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A verdade é que ganhando ou perdendo noites, vivendo ou não a vida lá fora, há uma vida no quarto que de certa forma escolheu pessoas para mais cedo ou mais tarde serem estudantes de Medicina e futuros Médicos. Isso mesmo, escolheu! E menciono dessa forma, por estar certa que pessoas que escolhem, se o faze por fazer, não toleram, não são capazes de deixarem de ser indivíduos dotados de necessidades físicas e emocionais para serem instrumentos sedentos por conhecimento, por ciência, por vida que, por mais que não seja a sua, atrai, conquista.
Para tal não basta escolher, é essencial ser escolhido, não por dom, mas por dedicação...
O estudante de Medicina esquece que amigos saem para baladas ou, se lembra-se, o faz apenas para desejar belas noites e permanece na maioria das suas entre letras que a certa hora dançam e fazem dançar.
Sabe que há uma família lá fora em algum lugar, mas por dias consecutivos encontra os seus somente nos sonhos bons, sonhos cochilados sobre as páginas.
O estudante de Medicina abdica de si, conquista troféus que são exibidos nos olhos cansados e decorados...
E ainda assim não desiste, não se arrepende da escolha que o encontrou, escolha aceita!
Ainda assim, escolhe ser dia e noite, mesmo que lhe arda os olhos!
Ainda assim, com a história dita nos olhos e na postura tênue, continua MedSer!
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Semanas de provas difíceis, olho para os lados e me vejo espelho de colegas que como eu arrastam-se por corredores de tão cansados que já estão e o mais incrível é que, mesmo sem poder localizar em tempo e espaço o dia em que cada um conseguiu ter uma boa noite de sono, mesmo sem previsão para a chegada do instante em que o sono poderá ser abraçado e aconchegado entre panos e colchão, percebe-se felicidade no ar. Não há arrependimento, não existe reclamação qualquer, não percebe-se lamento.
O coração abraçou a escolha que um dia fará a diferença na vida de muitos e isso importa. Viveremos assim, felizes embora chorosos de saudade, desesperados com provas e provas, por alguém que, embora desconhecido, merece após encontrar conosco provavelmente em um corredor de hospital, ter saúde e ter vida de verdade, dessas nas quais é possível dormir e comer nas horas certas, amar e ser amado todos os dias sem exceções emergenciais, dessas que não passam dos limites da nossa fértil imaginação que cria e recria um mundo nosso e não deixa de desejar que seja sempre assim.
Sem reconhecimento nem agradecimento. Não é o almejo... Busca-se pulso, procura-se sinais vitais e entre eles apenas um discreto sorriso não gargalhado, manifestado apenas através do leve movimentar do canto de lábios após a cura de uma dor. Esse é o pagamento maior, são os honorários que cobrem as noites em claro ou mal e pouco dormidas, bem estudadas e sofridas de saudade.
02 novembro 2011
Hoje, oração aos anônimos da Medicina

Teu corpo sem vida, despido e frio, teu rosto anônimo e tua inércia se entregam às minhas mãos, como se quisessem oferecer-me a chave dos enigmas que a minha sede de conhecimento precisa desvendar. E meu bisturi ousou perturbar teu descanso.
Ali, naquele momento, nada mais poderia ser feito por ti, pois tu já havias partido. Porém, ultrapassado a barreira da morte, teu corpo ajudou-me a compreender melhor os mistérios da vida, os saberes transcritos em cada centímetro teu e que tornarão possível ainda o salvar de inúmeras vidas em teu nome. E por isso te agradeço neste dia de finados.
Agradeço e rogo pelo teu descanso, faço uma oração que talvez não haja quem faça neste dia por ti, companheiro eterno e veículo da ciência. Sem saber se na vida foi lembrado, sem possuir conhecimento qualquer a respeito dos dias teus, se transcorreu em família ou na ausência dela, se um trabalho te ocupou a mente ou se um amor povoou teus pensamentos, afirmo-te apenas que valerá a pena o que involuntariamente tem sido realizado através de ti.
Descanse em paz, deixe que agora e sempre nos cansemos incansavelmente em favor do conhecimento e das vidas que poderão ser salvas!
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