18 março 2012

Assim é!



E assim seguem médicos e estudantes de medicina, abrindo mão de parte da sua vida em prol de outras, felizes também por isso:

Um médico entrou num hospital apressado, depois de ter sido chamado para uma cirurgia urgente. Ele respondeu à chamada imediatamente, e mal chegou trocou-se e foi direto para o bloco operatório. Pelo caminho encontrou o pai do rapaz que ia ser operado a andar para trás e para a frente à espera do médico. Quando o viu, o pai gritou:

-”Porque demorou este tempo todo a vir? Não sabe que a vida do meu filho está em perigo? Você não tem o mínimo de sentimento e de responsabilidade?”

O médico sorriu e respondeu serenamente:

-”Peço-lhe desculpa, não estava no hospital e vim mal recebi a chamada… Agora, gostaria que você se acalmasse para que eu também possa fazer o meu trabalho.”

-”Acalmar-me?!?! E se o seu filho estivesse dentro do bloco operatório, você também ficaria calmo? E se o seu filho morresse o que faria?”, disse o pai visivelmente agitado.

-”Ficar nesse estado alterado e de nervos não vai ajudar nada, nem a si, nem a mim e muito menos ao seu filho. Prometo-lhe que farei o melhor que sei e consigo dentro das minhas capacidades”, disse o médico

-”Falar assim é fácil, quando não nos diz respeito.”, murmurou o pai entre dentes.

Passadas algumas horas, a cirurgia terminou e o médico saiu sorridente de encontro ao pai.

-”A cirurgia foi um sucesso. Conseguimos salvar o seu filho! Se tiver alguma questão pergunte à enfermeira.”

Sem esperar pela resposta, o clínico prosseguiu caminho visivelmente apressado. O pai irritado dirigiu-se à enfermeira e desabafou:

-”O médico é mesmo arrogante… Será que lhe custava muito ficar aqui mais uns minutos para eu lhe questionar em relação ao estado geral do meu filho?”

A enfermeira, um pouco abalada e quase a chorar respondeu-lhe:

-”O filho do doutor morreu ontem num acidente rodoviário. Ele estava no funeral quando o chamámos para a cirurgia do seu filho. Agora que a cirurgia terminou e o seu filho foi salvo, o doutor voltou para o funeral a correr para prestar a última homenagem ao filho dele.”

18 fevereiro 2012

Um porre arco-ires



Gummy bears e vodka por favor.
Juntos. Misturados... Absorvidos!
E quero muito!
Quero porre e arco-ires,
Cores embriagadas,
Histórias não contadas...
Torpor com vigor, sem dor!
Chocolate com whisky por favor.
Ambos quentes... Efervescentes!
Quero prazer ao embriagar,
Doce sensação de inocente pecado,
Quero amor sensato...
Loucura insana nessa futura saudade profana!
...............................................

Quero estar feliz hoje amanhã e sempre; agradecer ao invés de reclamar; calar sem precisar chorar. Preciso de um fim-de-férias tranquilo, cálido. Desses que acontecem devagar e absorvem o turbilhão de sensações que podem fazer parar e para trás olhar. Vou-me de casa vendo a vida passar pelo vidro; transparência sobre rodas, entre asas... Aperto no peito, angústia afogada nas lágrimas que não podem se deixar escorrer. Sem emoção dessa vez. Apenas um porre pelos dias difíceis vividos durante as férias e em homenagem às boas e vindouras horas. Certeza, tenho apenas sobre esperança. Foco no objetivo e migalhas de pão pelo caminho.

11 fevereiro 2012

Apertando o botão da emoção



Sempre bom deixar a emoção surgir, com toda a força que possui, cheia de motivos, mesmo que os piores ou mais ínfimos ou bobos. Surgindo, ela cria corpo frente à dor que causa e logo abranda para deixar doer em um outro dia apenas. Se presa, enclausurada em um coração oprimido, jamais deixa de acompanhar e cresce desmedidamente. Então, assista quantos filmes precisar se for necessário, aqueles que fazem lágrimas surgirem à força e desmedidas... E chore... Soluce... Faça isso sem sentir-se um ser humano fraco. Ao contrário, somente fortes colocam-se frente-a-frente com aquilo que pode ser desolador e até assustador. Adormeça com esse sentimento molhado para que seja novamente você em um outro amanhecer, em uma nova oportunidade. E mais colorida a cada lição.
Ligando agora o meu filme triste, apertando o botão da emoção...

08 fevereiro 2012

Só eu e um tal submarino amarelo



Nunca fiz balé... Não sou de flores ou corações, sou sim de amores e calores. Sou um "eu" atrevido, só meio vivido e que não se deixa levar, embora carregado de emoções.
Quero da vida o que ela me trouxer, mas exijo que seja inteiro e cheio de verdade. Tenho em troca a paixão por viver aprendendo, por crescer em um minuto ou diminuir ruborizada em segundos.
Ter? Não tenho. Apenas sou, pois o que tenho nem meu é se em breve, um breve distante espero, irei sem levar. Sairei sem volta para algum lugar qualquer para quem sabe um dia retornar...
Viajo não em nuvens, mas nas razões, nos pensamentos, nas decisões e atitudes. Viajo não em balões, mas em um submarino amarelo que atravessa oceanos de saudade e encontros em busca de algo a ser revelado.
Eu sou, quero, faço, tenho, viajo... Simplesmente existo na inexistência já que se considerada a população total, mínimos são os que me conhecem. Mínimos em quantidade, que fique claro, pois sua qualidade é inestimável, tanto em termos de amigos, quanto de amores e família, seres de vida e morte.
Mais que isso faz-se desnecessário. Mais que isso eu não quero, não preciso...
Somente eu e um tal submarino amarelo transcorrendo a vida nesses mares de problemas não solucionados e soluções desenlaçadas que, enfim, compõem meu oceano-chá particular que aos poucos torna-se público... ou não.

01 fevereiro 2012

Eu de mim...



Eu de mim, sou espaço preenchido de querer
Sou enlace desenvolto de você
E até cumprimento descumprido do viver...

Eu de mim, sou pupila desconexa no olhar
Sou vidraça construída num piscar, sem trincar
E até volta solta desenvolta a rolar...

Eu de mim, sou balanço ressentido de sentir
Sou palpite não falado num porvir
E até linguagem solta sempre posta a refletir...

Eu de mim, sou névoa inundada de torpor
Sou inverno posto em chamas e calor
E até sou sangue que percorre com fervor...

Eu de mim, sou eu e tu, sou nós, sou vós...
Mas eles não sou. Eles sim são eu, eu de mim!

(por PAIVA, J.)

30 janeiro 2012

UTI: repensando a vida!



Estive pensando sobre o quanto às vezes a vida bate, afronta e desafia a capacidade de cada um. Chega de mansinho e por um motivo que só ela ou forças externas sabem faz com que nos sintamos fracos e incapazes.
E esse é o momento de reagir, de mostrar que, por mais que ela nos faça passar por dificuldades, seremos dignos da superação, seremos capazes de avançar e pisar sempre um degrau acima.
Falo isso por experiência própria. Não sou tão forte quanto previa nem tão fraca quanto temia. Passei por uma experiência não muito agradável, mas que devia estar escrita no meu livro da vida, pois cedo ou tarde chegou.
Estive durante alguns dias em uma UTI, não como residente, interna, simples estagiária, ou mesmo acompanhante. Fui paciente após uma crise grave de asma que desencadeou parada cardiorrespiratória e algumas complicações um pouco sérias q que aos poucos estão se resolvendo.
Estive do outro lado e hoje agradeço ainda mais por pessoas como eu optarem pela Medicina por amor e não somente por status ou aspecto financeiro, já que faz diferença tanto no referente à quantidade de estudos e aprendizado quanto em relação à maneira como o paciente é tratado mesmo em hospital particular que foi o meu caso.
Foram alguns dias literalmente OFF para a vida como ela é, pois estive entubada sob ventilação mecânica e sedada e outros dias ainda ausente devido à necessidade eminente de recuperação.
Foi possível não pensar, pensar e até repensar muitos conceitos, mudar opinião e manter personalidade e atitudes. Foi bom perceber o quanto verdades são deixadas para trás em detrimento do que nos é alheio e encontrar de dentro para fora a real determinação sobre o que deve ser valorizado em dias e noites.
Hoje sou a mesma, porém não vejo a vida da mesma forma. Hoje durmo e acordo muito mais “eu” porque aprendi a redescobri o que sou, quem sou e para que sou.
Cada ser humano tem uma oportunidade única de fazer tais descobertas, alguns de forma mais trágica, outros de maneira mais branda e suave. Desejaria suavidade a todos, mas como não cabe a mim o traçar dessa tênue linha da vida, contento-me em desejar que apenas descubram seu valor para, então, fazer valer a pena. Que saiam todos do estado à deriva que às vezes nos posicionamos! Tento tentado fazer isso desde então...

11 janeiro 2012

A maldição do médico!



Conta a lenda que, quando Deus liberou o conhecimento sobre como cuidar dos enfermos, determinou que aquele "saber" ficaria restrito a um grupo muito selecionado de pessoas.
Mas, neste pequeno grupo, onde todos se achavam "semi-deuses", alguém traiu as determinações divinas... Aí aconteceu o pior!!!!!!........
Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer alguns mandamentos:

1º - Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.

2º - Não verás teu filho crescer.

3º - Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.

4º - Terás depressão, se tiveres sorte. Se for como os demais terás esquizofrenia.

5º - A pressa será teu único amigo e as suas refeições principais serão os lanches, as pizzas e o china in box.

6º - Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se te sobrarem cabelos.

7º - Tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes 5 anos de trabalho;

8º - Dormir será considerado luxo, logo, não dormirás.

9º - Trabalho será teu assunto preferido, talvez o único.

10º - As pessoas serão divididas em 2 tipos: As que te entendem ( profissionais da área de sáude) e as que não te entendem ( Pessoas normais )

11º - A máquina de café será a tua melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não te farás mais efeito.

12º - Happy Hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como você.

13º - Terás sonhos, com escalas, trocas de plantões, fim de turno, pacientes, e não raro, resolverás problemas de trabalho neste período de sono.

14º - Exibirás olheiras como troféu de guerra.

15º - E, o pior........ inexplicavelmente gostarás de tudo isso...

É bem por aí mesmo... O que seriam minhas noites sem Yaki Clássico no Box Júnior, sem lâmpadas acesas ou computador ligado, sem café, livros ou pacientes???! Viva o China! Viva a Medicina! Rs.

29 dezembro 2011

Feliz livro novo!



Quando 2011 começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Você podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia colocar um poema, um pesadelo, uma blasfêmia, uma oração.

Podia...
Hoje não pode mais; já não é seu.
É um livro já escrito...
Concluído.

Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e você não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.

Portanto, antes que 2011 termine, reflita, tome seu velho livro e o folheie com cuidado.
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência; faça o exercício de ler a você mesmo.

Leia tudo...

Aprecie aquelas páginas de sua vida em que você usou seu melhor estilo. Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito.
Não, não tente arrancá-las.
Seria inútil.
Já estão escritas.

Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue. Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.

Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador.
Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras:

Obrigada e Perdão

E, quando 2012 chegar, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco todo seu, no qual você irá escrever o que desejar..

Feliz Livro Novo...

24 dezembro 2011

Neste Natal, apenas IMAGINE



Imagine...

Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
você se juntará a nós
E o mundo será como um só

Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de humana
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo

Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo viverá como um só

(por John Lennon)

21 dezembro 2011

Alguém poderia evitar



Texto para refletir:

Eu fui para uma festa e me lembrei do que você me disse. Você me pediu para não beber álcool. Então, eu bebi refrigerante. Senti orgulho de mim mesma, como você disse que sente.
Você me disse que não se deve beber e dirigir, ao contrário do que alguns amigos me disseram. Fiz uma escolha saudável e seu conselho foi correto,como tudo que você me dá sempre.
Quando a festa finalmente acabou, as pessoas começaram a dirigir sem poder fazê-lo. Fui para o meu carro com a certeza de que iria voltar para casa em paz.
Nunca imaginei o que me esperava. Agora estou deitada na rua e ouvi o policial dizer: "O rapaz que causou este acidente estava bêbado".
Mãe, sua voz parece tão distante. Meu sangue é derramado em toda parte eu estou tentando com todas as minhas forças não pode lamentar.
Eu posso ouvir. Os médicos dizem: "A garota vai morrer". Tenho a certeza de que o jovem, que dirigia a toda velocidade, decidiu beber e dirigir, e agora eu tenho que morrer.
Por que as pessoas fazem isso, mãe, mesmo sabendo que isto pode arruinar muitas vidas, as suas e as de outros? A dor está me cortando como se fosse uma centena de facas.
Diga a minha irmã para não chorar, diz ao papai pra ser forte. E quando eu for para o céu, eu vou estar assistindo todos vocês.
Alguém deveria ter dito àquele garoto: “É errado beber e dirigir”.
Talvez, se seus pais tivessem dito, eu não estaria morrendo agora.
Minha respiração está ficando mais fraca, mais e mais. Mãe, estes são os meus últimos momentos e me sinto tão desesperada...
Eu gostaria de poder te abraçar, enquanto eu estou morrendo aqui. Eu gostaria de poder dizer o quanto eu te amo, MÃE. Então ...
Eu te amo... e. ..adeus ... "

(por Jornalista desconhecido)
(Estas palavras foram escritas por um repórter que presenciou o acidente. A menina, como ela morreu. Ela estava dizendo essas palavras, e o repórter escreveu ... muito sobrecarregado.

18 dezembro 2011

De volta à vida!



Uma vida em poucas horas. Foi assim nesta volta para casa. Regressei ao lar com lembranças das quais sentia muita falta. Barulho de rodas de carro saindo e chegando da garagem, denunciando chegada e partida de uma pessoa querida, cheiro de café passado na hora (café que não ingiro em dias isentos de provas e que mesmo assim faz parte do que os meus são), sabor de bolo de abacaxi e frutas frescas pela manhã e, principalmente, sensação de aconchego entre braços menores que os meus e muito mais importantes, braços de criança.
Contei cada minuto transcorrido e todos os sessenta segundos que tiquetaquearam incansáveis nos minutos que compuseram as horas de viagem tornaram-se povoados de histórias clássicas.
Lembrei-me até do dia em que decidi ser Médica, aos 4 anos de idade. Eu, uma boneca, algumas doenças inventadas, mal interpretadas e decisivas na escolha de quem já na primeira infância sabia o que faria na vida, embora sem conhecimento do tempo e espaço em que aconteceria.
E as horas passavam... E as lembranças vinham... E a saudade apertava à medida que aumentava a proximidade e reduzia consequentemente a distância que tanto abalou mente e emoções no período letivo findado.
Nem o peso das malas foi perceptível visto que os quilos transportados de amor contido eram tamanhos!
Após tempo, espera e viagens no tempo, pude chegar e perceber que a escolha, embora saudosa, é realmente esta. Todos aguardavam com seu melhor abraço, com o maior sorriso, fazendo-me perceber o quanto eu deveria apostar na força necessária para me manter estudando em uma terra distante, não minha, sozinha.
Não contive as lágrimas; contudo, desta vez, era líquido doce, de contentamento, de reencontro. Deixei percorrer meu rosto o doce amor que sinto por cada um e pela escolha que me encontrou um dia e não me permitiu desistir do que hoje continua sonho, visto que a minha realidade se passa em casa, entre muros baianos.
Peço encarecidamente desculpas pelo desabafo de sentimentos. Após um post vazio de férias no qual não pude escrever por estar dedicando todo o tempo do mundo a amar e amar, sentia que devia uma satisfação aos leitores que mesmo à distância e sem posts acompanham as minhas letras e àqueles que escrevem e acabam propositalmente ou não por incentivar a bela e difícil jornada pré-médica nos momentos em que mais necessito de aconchego.
Aos que, além dos livros me fazem companhia em instantes de solidão, obrigada!
De volta à vida, farei-me mais presente nos dias que seguem.

12 dezembro 2011

QUERIDO PAPAI NOEL,



Não havia percebido o quanto estamos próximos ao Natal! Este ano, como tantos outros, passou rápido o suficiente para me fazer perder nos meses que seguiam a mesma rotina anual e, finalmente, foi possível alcançar o dezembro de férias.
Poderia ignorar-te frente a tudo o que tentaram me fazer deixar de acreditar ao longo dos anos, poderia até discutir com quem não crê e vencer ao final, mas não tenho qualquer interesse em fazer com que concordem comigo na crença ou descrença relacionada ao velhinho barbudo que viaja em um trenó e desce chaminés.
Apenas penso em conversar com o ser não-ser que povoou e faz parte ainda da infância de muitos. Conversa sincera de agradecimentos sinceros e suaves pedidos, palavras minhas para ti, letras casadas e lançadas ao sul, pólo em que dizem que há sua fábrica de sonhos construída.
Tive muitos Natais, datas sempre comemoradas em família, dias regados a presentes e alguma comida, mas não é a isso que agradeço, pois sei o quanto inúmeras pessoas transcorrem a mesma data sem que haja alteração da sua rotina por não possuírem dinheiro suficiente para tal ou mesmo por não terem uma família com quem compartilhar sorrisos.
Agradeço por ter conseguido a cada Natal amadurecer um pouco mais e preocupar-me com quem me rodeia, agradeço por não deixar perder a esperança no meio do caminho e por buscar por sonhos a serem conquistados por mim e até por desconhecidos que meu caminho cruzam.
Sou grata também pela capacidade adquirida de enxergar às possibilidades presentes no horizonte da vida, embora estas apareçam sob névoa às vezes e também por haver em diferentes locais do planeta pessoas que se importam com o próximo e, como um beija-flor, fazem sua parte levando alegria à casa dos que não possuem tantas provisões.
E como humana que sou, não poderia encerrar esta singela cartinha sem fazer alguns pedidos. Solicito ao Noel, papai do Natal, que faça o possível para visitar sempre mais casas, principalmente aquelas carentes de carinho nas quais as crianças são tratadas como adultos antes de possuírem idade suficiente para isso. Poder ser criança e encontrar entretenimento entre a infinidade do quintal faz aparecer um algo especial ao olhar de quem quer apenas acreditar e sorrir, correr e brincar.
Não são presentes materiais os relevantes, apesar destes fazerem surgir sorrisos nos lábios dos menores. O que importa é a fé de continuar sempre na luta diária que pode ser tênue ou árdua, a motivação guardada no coração e pronta a ser utilizada em momentos cruciais nos quais pode haver desistência da busca por realizações e a capacidade não se deixar abater por obstáculos que posam surgir. Isso eu peço para todos, sem distinção de classe social, raça, religião ou mesmo de grau de afeição.
Desejo amenidades e até milagres aos povoadores de leitos hospitalares e ainda afeição por parte do corpo clínico que, embora pense ser responsável apenas pela cura farmacológica, é também dotado re responsabilidades sociais e emocionais para com seus pacientes. Cumprimentos sinceros e esclarecimentos são também presentes!
Para mim, enquanto pessoa, somente desejo que me faça acreditar no brilho das escolhas feitas sem recuar ante as dificuldades. Desejo acima de tudo escutar dia após dia o som da felicidade emanado por uma criança com cachinhos barrocos, olhos amendoados e sangue que também é meu.
Espero, Papai Noel, que possa ler isso entre as estrelas que separam a realidade da brincadeira natalina. São palavras escritas e lançadas não ao vento, mas a uma rede que funciona como se fosse brisa e, como tal, é capaz de transmitir a mensagem imaginada. Não é necessário certeza sobre sua existência, na verdade nem é preciso pensar a esse respeito. Essencial somente é trazer à tona a bondade que há em algum lugar nos seres humanos, se não nos outros meses do ano, em dezembro.
Que a internet, com suas renas e sacos mágicos, possa de alguma forma ser o Papai Noel de alguém. Que as chaminés sempre abertas recebam sempre o que há de melhor: carinho, atenção, esperança, sonhos, possibilidades, amizade. E que o Papai Noel de vestes vermelhas e botas negras não deixe de existir no coração dos pequenos que ainda precisam ter esperança na vida já que são o futuro que poderíamos gostar de ter e no coração também dos grandes que precisam de alguma forma contribuir para que isso aconteça. Que a cada dia transcorrido mais luzes se acendam e pisquem sem parar!

Despeço-me apenas com um até breve, de uma amiga que desacreditando acredita em alguma magia natalina.


21 novembro 2011

Perdem-se noites e não esperanças




‎"De grão em grão a galinha enche o papo?" (Diz o ditado popular)
"Perdendo noite após noite, o estudante de Medicina se enche de olheiras." (Diz o ditado mais verdadeiro da Medvida)
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A verdade é que ganhando ou perdendo noites, vivendo ou não a vida lá fora, há uma vida no quarto que de certa forma escolheu pessoas para mais cedo ou mais tarde serem estudantes de Medicina e futuros Médicos. Isso mesmo, escolheu! E menciono dessa forma, por estar certa que pessoas que escolhem, se o faze por fazer, não toleram, não são capazes de deixarem de ser indivíduos dotados de necessidades físicas e emocionais para serem instrumentos sedentos por conhecimento, por ciência, por vida que, por mais que não seja a sua, atrai, conquista.
Para tal não basta escolher, é essencial ser escolhido, não por dom, mas por dedicação...
O estudante de Medicina esquece que amigos saem para baladas ou, se lembra-se, o faz apenas para desejar belas noites e permanece na maioria das suas entre letras que a certa hora dançam e fazem dançar.
Sabe que há uma família lá fora em algum lugar, mas por dias consecutivos encontra os seus somente nos sonhos bons, sonhos cochilados sobre as páginas.
O estudante de Medicina abdica de si, conquista troféus que são exibidos nos olhos cansados e decorados...
E ainda assim não desiste, não se arrepende da escolha que o encontrou, escolha aceita!
Ainda assim, escolhe ser dia e noite, mesmo que lhe arda os olhos!
Ainda assim, com a história dita nos olhos e na postura tênue, continua MedSer!
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Semanas de provas difíceis, olho para os lados e me vejo espelho de colegas que como eu arrastam-se por corredores de tão cansados que já estão e o mais incrível é que, mesmo sem poder localizar em tempo e espaço o dia em que cada um conseguiu ter uma boa noite de sono, mesmo sem previsão para a chegada do instante em que o sono poderá ser abraçado e aconchegado entre panos e colchão, percebe-se felicidade no ar. Não há arrependimento, não existe reclamação qualquer, não percebe-se lamento.
O coração abraçou a escolha que um dia fará a diferença na vida de muitos e isso importa. Viveremos assim, felizes embora chorosos de saudade, desesperados com provas e provas, por alguém que, embora desconhecido, merece após encontrar conosco provavelmente em um corredor de hospital, ter saúde e ter vida de verdade, dessas nas quais é possível dormir e comer nas horas certas, amar e ser amado todos os dias sem exceções emergenciais, dessas que não passam dos limites da nossa fértil imaginação que cria e recria um mundo nosso e não deixa de desejar que seja sempre assim.
Sem reconhecimento nem agradecimento. Não é o almejo... Busca-se pulso, procura-se sinais vitais e entre eles apenas um discreto sorriso não gargalhado, manifestado apenas através do leve movimentar do canto de lábios após a cura de uma dor. Esse é o pagamento maior, são os honorários que cobrem as noites em claro ou mal e pouco dormidas, bem estudadas e sofridas de saudade.



02 novembro 2011

Hoje, oração aos anônimos da Medicina



Teu corpo sem vida, despido e frio, teu rosto anônimo e tua inércia se entregam às minhas mãos, como se quisessem oferecer-me a chave dos enigmas que a minha sede de conhecimento precisa desvendar. E meu bisturi ousou perturbar teu descanso.
Ali, naquele momento, nada mais poderia ser feito por ti, pois tu já havias partido. Porém, ultrapassado a barreira da morte, teu corpo ajudou-me a compreender melhor os mistérios da vida, os saberes transcritos em cada centímetro teu e que tornarão possível ainda o salvar de inúmeras vidas em teu nome. E por isso te agradeço neste dia de finados.
Agradeço e rogo pelo teu descanso, faço uma oração que talvez não haja quem faça neste dia por ti, companheiro eterno e veículo da ciência. Sem saber se na vida foi lembrado, sem possuir conhecimento qualquer a respeito dos dias teus, se transcorreu em família ou na ausência dela, se um trabalho te ocupou a mente ou se um amor povoou teus pensamentos, afirmo-te apenas que valerá a pena o que involuntariamente tem sido realizado através de ti.
Descanse em paz, deixe que agora e sempre nos cansemos incansavelmente em favor do conhecimento e das vidas que poderão ser salvas!

31 outubro 2011

Verdadeiro Halloween?



Dia que alguns admiram e outros não consideram. Dia que às vezes chega a ser desacatado sem que ao menos se saiba o sentido da palavra ou significado: Halloween!
Bom, então vamos à origem da data 31 de outubro divulgada mundialmente.
A palavra Halloween tem origem na igreja católica, vem de uma corrupção contraída do dia primeiro de novembro. Todo o "Dia de Buracos" ou "Dia de Santos" é um dia católico de observância em honra de santos, mas no século VdC, na Irlanda Céltica, o verão oficialmente se concluía em 31 de outubro e havia um feriado "Samhain" considerado ano novo céltico.
Alguns bruxos acreditam que a origem do nome vem da palavra hallowinas (nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte (Escandinávia). Halloween marca, então o fim do verão e início do ano novo, além de celebrar também o final da terceira e última colheita do ano, com início do armazenamento de provisões para o inverno e início do período de retorno dos rebanhos do pasto e renovação de suas leis.
Era uma festa como vários nomes (Samhain, Samhein, La Samon) que representava festa do Sol, mas que foi divulgada com seu nome escocês Halloween.
Uma das lendas celtas fala que os espíritos de todos que morreram ao longo daquele ano voltariam à procura de corpos vivos para possuir e usar pelo próximo ano. Os celtas acreditavam ser a única chance de vida após a morte, defendiam todas as leis desse espaço e tempo, o que permitia, segundo eles, que o mundo dos espíritos se misturasse com o dos vivos.
Como os vivos não queriam ser possuídos, na noite do dia 31 de outubro apagavam as tochas e fogueiras de suas casas para que elas se tornassem frias e desagradáveis, colocavam fantasias e ruidosamente desfilavam em torno do bairro, sendo tão destrutivos quanto possível, a fim de assustar os que procuravam corpos a possuir.
Os romanos adotaram as práticas celtas, mas no primeiro século depois de Cristo abandonaram esses valores. O Halloween foi levado aos Estados Unidos em 1840 aproximadamente por imigrantes irlandeses que fugiam da fome pela qual seu país passava e já neste país, uma das grandes potências mundiais, passou a ser divulgado como Dia das Bruxas.
A partir daí, muito mito surgiu, e com o mito também o preconceito sobre uma data cultural irlandesa que muitas vezes mistura-se com abóboras, gatos pretos e bruxaria. Interessante seria se todos se permitissem conhecer o significado e, a partir daí, poderiam com propriedade fazer uso do direito de repudiar ou não a data ou mesmo de ignorá-la apenas.

23 outubro 2011

Eu de mim



Eu de mim sempre faço ser igual e diferente, carente sem querer,
Vivo hoje, acordo ontem, sou cada entardecer!
Respondo olhar, falo pensamento, ouço cada intento?
Secreto cores, espalho amores...

Eu de mim espero tudo e nada, risada e bem saber,
Excito vida, procuro aflita, o samba a me envolver!
Viajo calado, grito abafado, felicidade que há em algum dentro meu
Reflito dores, relato flores...

Eu de mim sempre coro de prazer por viver!
Esqueço lembrando, lembro de esquecer, acordo em cada amanhecer...
Fico parado, contemplo momentos, disfarço alentos?
Troco calores, mantenho vigores... e amo os amores!

(por Jôze Paiva)

21 outubro 2011

Natural sentir...



O sol que te abraça em raios acalenta o dia que nem meu é
A chuva que acaricia flores no jardim goteja de mim...

A brisa suave entre árvores escorrega entre meus cabelos convidando a dançar
A lua que tanta escuridão clareia emana luz também ao meu lugar?

A relva convidativa na campina faz correr só de lembrar
A neve que te traz paz com seu branco até tenta me alcançar!

O rio que te procura entre margens e pedras não consegue até mim chegar
As estrelas a brilharem sobre mim fazem lembrar a esperança que em algum lugar está!

O mar de imensidão azul ou verde nem preenche parte do meu esperar
A noite serena que chega fazendo meditar inunda um olhar que de tão longe virá...

O dia amanhã a despontar, talvez seja diferente, ou pode até assim continuar!
Vai depender de como na vida o balançar movimentar...

(Jôze Paiva)

20 outubro 2011

Vai passar... cedo ou tarde!



Como parar para escrever em um dia como o de hoje que as minhas forças parecem terem sido extraídas à força? Talvez haja como, pois entre escrever e sentir, difícil é sentir... escrever é consequência.
E as letras fluem na mesma proporcionalidade que o rio que percorre meu rosto em forma de lágrimas. Justamente este o problema de parar e escrever... injusto transcrever momentos ruins que já são tantos no cotidiano. Como nem sempre pode-se controlar sentimentos e seria inadequado forjar uma escrita oposta a eles, coloquei-me à frente do computador.
Quem sabe parte da angústia desaparece entre as letras, espaços e sinais de pontuação! E que se vá rápido!
Que o misto de saudade e fraqueza dissolvam-se e a magia da vontade de prosseguir retorne, pronta a me acolher em seus braços, pois é preciso continuar.
Há muito o que ser estudado, há um infinito a ser feito e simplesmente permaneci grande parte das horas do dia entre minutos de desocupação completa. Queria somente dormir e sonhar com outro lugar a estar hoje... a minha família!
Desejo abraço e carinho, quero também lembrar de esquecer este sentimento do lado de fora de casa e coração, pois ele aflige, impede de enxergar o horizonte que almejo e evita que meios de progresso (estudo, e muito estudo!) sejam providenciados.
Segundo uma música escutada há tempos, eu sei que vai passar, cedo ou tarde; o que não sei é se vou ficar bem nesse meio tempo. E sei que não há tempo, cada segundo de fé e esperança é valioso!


19 outubro 2011

Mais esperança, menos desistência



"Desistir?
Já pensei seriamente nisso,
mas nunca me levei realmente a sério.
É que tem mais chão nos meus olhos
que cansaço nas minhas pernas,
mais esperança nos meus passos
que tristeza nos meus ombros.
Há mais estrada no meu coração
que medo na minha cabeça."

(Salete Hubner)